sábado, 16 de janeiro de 2010

Cobre caro!

Uma das coisas que mais vejo na atualidade daqueles que me cercam e pertencem à minha fatídica geração é uma imensa necessidade de profundidade em tudo: amor, vida profissional, vida familiar, espiritualização. Mas ao mesmo tempo, vejo que a maioria parte da necessidade de profundidade agindo de forma extremamente superficial. Percebo que vejo um mundo de intenções boas, porém estão todos perdidos num mundo que oferece tanta coisa, que talvez por ser tão difícil escolher, abraçam tudo e nada ao mesmo tempo.

É tanta gente querendo amar e ser amado, e que pensa que se distribui amor, fazendo amor com qualquer um a qualquer hora e depois abre a boca pra dizer que valoriza amor acima de tudo e que busca nisso pureza e profundidade. Mas cadê??? Falam em envolvimento com profundidade, mas o que fazem é se entregar ao aparecer o primeiro pela frente, e esquecem que não estão fazendo amor, mas apenas dando qualquer coisa que vai deixar um vazio tão imenso que só não será preenchido nem com a próxima transa qualquer... porque é tudo muito oco... é tudo muito qualquer.

E a necessidade de fazer um trabalho válido, que seja reconhecido e que ‘faça o bem aos outros’... Sabe o texto de Stephen Kanitz ao qual já me referi??? Que ele comenta sobre os jovens que têm como anseio profissional ‘ajudar os outros’ e esquecem que qualquer trabalho, quando feito com gosto e empenho, está ajudando os outros... O médico está ajudando os doentes. O professor está ajudando aqueles que querem aprender. O defensor público está lutando para que os menos favorecidos tenham acesso à justiça. O juiz está ‘efetivando’ a justiça. O deputado está fazendo leis (boas ou ruins, não vem ao caso). O sapateiro está ajudando aos que precisam de sapatos. O lixeiro está ajudando a população completa de uma cidade. E assim segue... E sem um empenho no que fazem, acabam fazendo qualquer coisa e de qualquer jeito. E os que fazem apenas um pouquinho a mais, são taxados de ambiciosos, pretensiosos ou então, considerados deuses por terem conseguido a façanha de arrumar algo nesse mundo que não valoriza ninguém. Será que é o mundo, ou quem vive nesse mundo?

E na vida espiritual??? É tanta coisa... tanta coisa. E um sincretismo que leva ao vazio. A pessoa crer em Maria, Buda ou na fitinha do Senhor do Bonfim. Mas tudo leva a Deus? Rapaz, não é assim tão simples. Deus não é pequeno o suficiente para caber numa caixinha que concede desejos a nossos corações. Deus é tão imensamente grande, que deve ficar olhando e pensando ‘esse povo está me colocando em objetos e esquecendo que eu estou muito mais do que nos corações de cada um, eu estou do lado, disposto a segurar na mão e fazer deles filhos bem cuidados’. Filhos... somos filhos de Deus. E não deuses em essência. Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Mas não nos fez em sua equivalência. Não somos capazes de definir onde vai dar nosso próximo passo. Então... somos Deus???

A necessidade de profundidade tem nos tornado perdidos num universo abarrotado de opções e valores. É como se tudo valesse nada, já que se busca por tanto, mas se paga tão pouco. O caminho para algo profundo é o mais difícil. Mas, sei lá o que é, deve ser preguiça, pois sempre se quer o mais fácil, mais acessível, mais comum. Somos seres preciosos e se realmente nos damos valor, temos que cobrar caro de tudo. Se você se ama... se você sabe quem você é, cobre caro por isso. Não faça qualquer coisa, não arrume qualquer emprego, não durma com qualquer um, não creia em qualquer coisa, nem como qualquer coisa, não troque sua pureza por um prazer finito. Seja maior. Vá além. Veja a imensidão de gente vazia, com cara vazia e pense: cada um tem uma valor imenso. Então grite para eles: olhe para si, veja quem você é e saiba que só se acredita realmente em algo que se faz. Então, se você crê em seu valor, faça por onde... Mas faça por onde MESMO. Abrace a causa de ser maior que o que lhe cerca. E cobre caro por cada pedacinho de você. Saia da multidão. E se todos lhe acharem estranho... qual o problema, ser estranho, é ser lindamente individual... é deixar de ser qualquer um... E se você nasceu você, pra que ser qualquer um???

1 comentários:

  1. Queria até comentar, mas n sai nada, desde que li...
    Obg pelo texto.. foi inspirador!
    Bjs, Ju.

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