terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ficou pra hoje...

Gosto de encarar minhas amizades como um grande diálogo, no qual, a conversa sempre flui como se tivesse terminado há poucos minutos. Me causa pequenos mal-estares a eterna necessidade de formalismo entre amigos. Formalismos bobos, que muitas vezes são requisitos da boa educação, mas em outros momentos, só revelam uma latente estranheza: ‘oi, tudo bom? Quais as novidades?’

Eu, particularmente, me sinto incomodada com compridos interrogatórios sobre as novidades das vidas das pessoas. Quem é meu amigo está acompanhando o que há de novo... ou simplesmente, quer apenas desfrutar da conversa, sem qualquer interesse em saber o que tem acontecido na minha vida, mas o que eu tenho acontecido comigo mesma. O formal ‘tudo bem?’ muito pouco demonstra qualquer interesse em saber como a pessoa está. É apenas uma frase repetida à exaustão, cuja função verdadeira é demonstrar que a pessoa não conhece tão bem a outra ao ponto de não perceber que ela está ou não está bem. Amigo de verdade não precisa perguntar se está tudo bom. Pode até perguntar, pelo hábito da boa educação. Aos quais eu peço desculpas, pois não a tenho. Sou do direto ‘eaê? Visse aquele filme ontem?’.

E amigo de verdade, a pessoa passa meses sem ver, mas quando encontra, a conversa flui como se não tivesse terminado ontem.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ainda faz sentido?

Faz um tempo que eu escrevia freneticamente, como se o mundo fosse acabar amanhã. Tinha uma ânsia imensa por expressar minhas opiniões através da escrita. Ando cansada. Permiti-me parar. Parar para avaliar bem o que isso tudo significa e, principalmente, buscar um significado para tudo. Tudo? Muita pretensão minha querer saber tudo. Mas, que pelo menos eu entenda o que isso significa. O isso que eu falo é exatamente a escrita. Escrever sobre o escrever, questionar sobre o escrever virou reincidência constante aqui – numa redundância apenas menor que as minhas desculpas dadas a todos que indagam o porquê de eu ter parado de escrever. Na verdade, não parei, como quem de súbito estanca. Fui parando, como quem freia. Até que, realmente parei. Não foi deliberado. Foi acontecendo. E, consciente de que parte inerente a mim sumiu, me dei conta que deixei de ser quem eu era. Até porque, não quero continuar sendo a mesma pessoa. Evolução ou involução? Ainda não sei a resposta. Só sei que, enquanto escrevo esse texto, não volto a ser quem um dia fui. Apenas agrego algo novo ao que sou: novos questionamentos sobre o sentido da escrita e o sentido de tudo que sinto dentro de mim.

É isso. Não me abandonem, tal como abandonei vocês.

E isso aqui não é uma crônica sobre o anunciado fim de um blog. Não anuncio mais. Quando acabar, acabou-se.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Aqui também...

Faltam palavras para expressar meu agradecimento constante a Deus. Nesses últimos dias, tenho sentido a sua presença firme e constantemente cuidando de mim em cada mínima coisa e, inclusive, chamando a minha atenção para aquilo que tenho de mais precioso: a minha vida! Sim, ela é minha e cabe a mim cuidar das minhas decisões. E a Ele, ir guiando meus passos. Quem não acredita, que pense no contrário. Mas, Deus está aqui do meu lado de forma tão real que é impossível, diante de tanta coisa que tem acontecido, que é impossível não crer que Ele está consertando algumas coisas que aconteceram num passado recente. Por mais que eu insista em pensar de forma contrária, a verdade é que Deus vai me direcionando a cada passo, rumo ao que sempre esteve nos planos de seu coração. Isso pode fazer do meu caminho mais comprido, mas e daí??? Deus não quer que peguemos atalhos. A verdade é essa: o caminho é dele e cabe a nós mesmos crer nisso e nada mais. Entrega o teu caminho ao senhor, confia nele e o mais ele fará... eis a nossa missão... E por fim, veremos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.

Mas agora ao meu lado está...cada dia eu sinto o seu cuidar... ajudando-me a caminhar, tudo Ele é pra mim!!!

Meu tudo... meu Senhor... meu Deus. Obrigada! Obrigada! Obrigada! Segue aqui do meu lado e segura a minha mão. Confirma o que meu coração sente, segundo os propósitos do teu coração. Vem comigo... eu vou contigo. Só de ti preciso. Tu és meu precioso Senhor e meu Salvador. Aquele a quem devo a obediência de minha alma...os sonhos de minha vida. Nada nesse mundo pode ser maior que o teu amor para comigo. E nada vai me desviar dos teus planos. Que meu coração não se volte para o mal e nem para nada que me afaste de ti...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sem título

Decidir é o mesmo o mais importante... Afinal, foi por conta do livre arbítrio, que tudo no mundo mudou. Nos é dado o poder de decidir? Digamos que nos é dado o poder de optar entre seguir num rumo ou mudar de direção. Tudo está definido por Deus? Creio que sim. As coisas não acontecem por acaso. Não há coincidências. Não há casos fortuitos. Mas talvez exista a força maior. Que tudo rege e que nos deixa pensar que somos nós quem estamos no controle. Estamos? Quem sabe? Ele, a própria força sabe. E é por isso que ele nos deixa pensar que temos alguma força em relação ao que quer que seja. Nossa função, então, seria ficar estáticos, esperando que tudo aconteça de acordo com o que essa força estranha determinar? Nananinanão... Eu até escrevi sobre isso há um tempo.A gente tem mesmo que se esforçar para que aquilo que a gente quer, venha a acontecer. Porque não podemos levar a vida na brincadeira do vida leva eu. Apenas temos que buscar a congruência de ideias com essa força. Isso se daria como? Na confiança! Na confiança de que todas as coisas acontecem pro nosso bem. (mesmo que não seja o que a gente queria). E na certeza de que Deus não nos manda nada que não possamos suportar. E seguir na luta diária em busca dessa congruência. Existe um termo bíblico que fala em 'estar no centro da vontade de Deus'. Isso seria exatamente o ponto de congruência entre o que queremos e o que ele quer para nós. É o momento em que nossas mentes são cheias dos sonhos que ele mesmo nos dá. Nesse momento é que existe paz em nossas decisões, pois elas mantém o foco no que é superior a nós e nossas ações passam a ter o efeito positivo de se realizarem em tudo. Mas como conseguir esse estado? Olhe, eu não sei. Mas creio que na observação do que nos acontece. Pedindo a Deus pra nos dar as provas daquilo que queremos. Esses dias eu tive que tomar uma das mais importantes decisões de minha vida. E simplesmente não sabia o que fazer. Fiz o que pude para que as coisas acontecessem segundo eu queria e sonhava. Mas havia uma margem em que era impossível de eu agir: o intangível... E foi nisso que entreguei a Deus a 'minha' decisão e, literalmente, o meu rumo. E a decisão dele foi diferente da minha... Mas foi a certa. E por ela, eu passei a focar na certeza de que o que eu havia pensado para mim, não é o que ele quer para mim. Nem sei onde isso vai dar. Mas quer saber??? Não me importo, sei que o meu caminho está nas mãos de Deus e ele tem o melhor pra mim. Complicado isso, né? É nada. É simples. Deus vai escrevendo minha história. E se eu lutar para que aconteça diferente, ele vai corrigindo meus passos.

Eu sei, Senhor, que não está nas mãos do homem o seu futuro; não compete ao homem dirigir os seus passos. Corrige-me, Senhor, mas somente com justiça e não com ira, para que não me reduzas a nada. Jeremias 10:23-24

Cada escolha, uma renúncia...

Cada escolha uma renúncia. Isso é a vida.

Chorão canta esse verso. E ele nem precisava cantar pra gente saber que é verdade. Decidir talvez seja a coisa mais difícil da vida. Seguir. Voltar. Ir além. Pensar pra trás. E se a gente não tivesse esse poder? Se a gente entregasse isso aos outros? Mais fácil. Mais simples. E depois o arrependimento não viria. Afina, nem foi a gente que escolheu! Mas e se a gente pensar que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e entregar a ele o definir de nossos passos? Afinal, não compete ao que caminha decidir o seu caminho. Não compete a gente dar a direção...

Compete a gente crer que está tudo aí e que ele está nos abrindo os caminhos. E os caminhos que ELE quer! Se não foi do jeito que a gente queria, paciência. Algo aconteceu. E aí, pensar que deveria ser diferente e desacreditar que um novo mundo se abre a cada passo ou querer reverter a situação, como se tivéssemos o poder de controlar nossas vidas, não está com nada.

Todos os dias milhares de coisas acontecem e provam que a gente, de alguma forma, estava errado ao se fechar para o novo que se abria em nossa frente. Todos os dias, a vida esfrega nas caras da gente mais verdades acerca dos pensamentos limitados que a gente se impõe. Mas, Deus está ai... corrigindo os passos errados que a gente deu. E mais, ele está aí, impedindo que a gente erre de novo. Difícil... o ser humano é teimoso. A gente fica querendo impor o que a gente julga ser melhor. Mas não sabemos o que é melhor. A gente não faz a menor idéia do que Deus tem preparado para nós. Então, querer definir nossos próprios passos, talvez seja negar esse mundo que ele nos oferece. Entre os meus sonhos e os de Deus... sou mais os dele. Melhor pensar grande. Melhor pensar em Deus.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Cobre caro!

Uma das coisas que mais vejo na atualidade daqueles que me cercam e pertencem à minha fatídica geração é uma imensa necessidade de profundidade em tudo: amor, vida profissional, vida familiar, espiritualização. Mas ao mesmo tempo, vejo que a maioria parte da necessidade de profundidade agindo de forma extremamente superficial. Percebo que vejo um mundo de intenções boas, porém estão todos perdidos num mundo que oferece tanta coisa, que talvez por ser tão difícil escolher, abraçam tudo e nada ao mesmo tempo.

É tanta gente querendo amar e ser amado, e que pensa que se distribui amor, fazendo amor com qualquer um a qualquer hora e depois abre a boca pra dizer que valoriza amor acima de tudo e que busca nisso pureza e profundidade. Mas cadê??? Falam em envolvimento com profundidade, mas o que fazem é se entregar ao aparecer o primeiro pela frente, e esquecem que não estão fazendo amor, mas apenas dando qualquer coisa que vai deixar um vazio tão imenso que só não será preenchido nem com a próxima transa qualquer... porque é tudo muito oco... é tudo muito qualquer.

E a necessidade de fazer um trabalho válido, que seja reconhecido e que ‘faça o bem aos outros’... Sabe o texto de Stephen Kanitz ao qual já me referi??? Que ele comenta sobre os jovens que têm como anseio profissional ‘ajudar os outros’ e esquecem que qualquer trabalho, quando feito com gosto e empenho, está ajudando os outros... O médico está ajudando os doentes. O professor está ajudando aqueles que querem aprender. O defensor público está lutando para que os menos favorecidos tenham acesso à justiça. O juiz está ‘efetivando’ a justiça. O deputado está fazendo leis (boas ou ruins, não vem ao caso). O sapateiro está ajudando aos que precisam de sapatos. O lixeiro está ajudando a população completa de uma cidade. E assim segue... E sem um empenho no que fazem, acabam fazendo qualquer coisa e de qualquer jeito. E os que fazem apenas um pouquinho a mais, são taxados de ambiciosos, pretensiosos ou então, considerados deuses por terem conseguido a façanha de arrumar algo nesse mundo que não valoriza ninguém. Será que é o mundo, ou quem vive nesse mundo?

E na vida espiritual??? É tanta coisa... tanta coisa. E um sincretismo que leva ao vazio. A pessoa crer em Maria, Buda ou na fitinha do Senhor do Bonfim. Mas tudo leva a Deus? Rapaz, não é assim tão simples. Deus não é pequeno o suficiente para caber numa caixinha que concede desejos a nossos corações. Deus é tão imensamente grande, que deve ficar olhando e pensando ‘esse povo está me colocando em objetos e esquecendo que eu estou muito mais do que nos corações de cada um, eu estou do lado, disposto a segurar na mão e fazer deles filhos bem cuidados’. Filhos... somos filhos de Deus. E não deuses em essência. Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Mas não nos fez em sua equivalência. Não somos capazes de definir onde vai dar nosso próximo passo. Então... somos Deus???

A necessidade de profundidade tem nos tornado perdidos num universo abarrotado de opções e valores. É como se tudo valesse nada, já que se busca por tanto, mas se paga tão pouco. O caminho para algo profundo é o mais difícil. Mas, sei lá o que é, deve ser preguiça, pois sempre se quer o mais fácil, mais acessível, mais comum. Somos seres preciosos e se realmente nos damos valor, temos que cobrar caro de tudo. Se você se ama... se você sabe quem você é, cobre caro por isso. Não faça qualquer coisa, não arrume qualquer emprego, não durma com qualquer um, não creia em qualquer coisa, nem como qualquer coisa, não troque sua pureza por um prazer finito. Seja maior. Vá além. Veja a imensidão de gente vazia, com cara vazia e pense: cada um tem uma valor imenso. Então grite para eles: olhe para si, veja quem você é e saiba que só se acredita realmente em algo que se faz. Então, se você crê em seu valor, faça por onde... Mas faça por onde MESMO. Abrace a causa de ser maior que o que lhe cerca. E cobre caro por cada pedacinho de você. Saia da multidão. E se todos lhe acharem estranho... qual o problema, ser estranho, é ser lindamente individual... é deixar de ser qualquer um... E se você nasceu você, pra que ser qualquer um???

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Haiti...

E quando uma tragédia acontece a gente se pergunta: onde está Deus? A gente se pergunta: será que ele não poderia ter impedido isso? A gente se pergunta: por que tantos inocentes estão sofrendo tanto com isso??? Ninguém sabe e seríamos prepotentes demais para tentar sondar uma resposta. A única coisa a dizer é que tudo o que acontece, seja de bom ou de ruim, só acontece porque Deus permite. Não quer dizer que seja ele quem determina a tragédia, porque muitas vezes é pura e simplesmente a ação do homem, mas ele permite. Por quê? Não faço idéia... Pra quê? Para nos ensinar.

Escrevo mais sobre as tragédias pessoas que nos acontecem quase que todos os dias: uma doença, um vazio interior, uma comoção pessoal, uma decepção com a vida, com alguém. Mas uma tragédia de grandes proporções tem o mesmo objetivo que uma tragédia particular, só que intencionada a atingir mais gente. E Deus é ruim por conta disso? Claro que não. Deus é sempre bom. E sempre está fazendo algo para o bem. Sabe o pai, que precisa brigar com o filho pra ele fazer o que é melhor? É por aí. Na hora que ‘a coisa’ está acontecendo, a criança chora, se descabela, mas quando cresce, ela entende que aquilo foi necessário. Porque nunca enxergamos a realidade quando estamos passando pela tragédia, só quando termina é que temos a visão total e a compreensão plena, ou mais ou menos plena. Isso é em tudo.

Na sua vida. Na vida dos haitianos. Na vida de todos. Só precisamos enxergar tudo com uns olhos mais abertos. Foi triste? E eu estou dizendo que não foi? Trata-se de uma tragédia (a do Haiti, a sua, a de cada um de nós). Trata-se de um trauma imenso e é muito difícil reconstruir um país. Mas é possível. E aqueles que se foram? E os sentimentos dizimados? Infelizmente temos que chorar e orar por eles. E o mais? O mais Deus fará. Famílias serão consoladas, reconstruídas. Governos serão repensados. Cuidados serão redobrados. E seguiremos com a dor eterna da perda, mas com uma visão além, nunca perderemos a esperança e a fé. E veremos, em breve, que Deus é infinitamente bom.

E porque uma pessoa como Zilda Arns ter sido levada de forma tão bruta? Uma pessoa voltada para a caridade? Por que você, que é tão gente boa e legal, está sofrendo o que está sofrendo? Assim como a Pastoral da Criança terá de ser forte para seguir em frente, você também terá. Sem entender o porquê, mas consciente do praquê. Não questione. Apenas siga. E tenha esperança. Apenas.